A alma desprende-se do aro em ouro
e por melancólicos instantes
é arremessada ao poste final da estrada azul.
Tudo embaralhado em flashes brilhantes
numa manhã descorada pela opaca realidade,
a alma breve revê de leve o mundo mágico
intocado, impuro, inseguro, inesquecível e insano.
Lá o ar de perfumes conhecidos é pouco,
o chão em estrelas adormecidas não se deixa tocar
e o horizonte de colorido por de sol não há.
As portas barulhentas dos sonhos emperradas estão
e nas janelas só escorrem gotas chorosas da chuva de sempre.
O alimento de fluidos eflúvios é parco
e o abatimento de tantas dores oprime o coração.
Em rápido desprendimento, a alma foge, enfim.
Agora, descansada, apavoradamente lúcida,
deitada em seu cômodo e confortável corpo cansado,
relembra os fugazes prazeres em tão singelo boletim.
Sumo do Tempo
domingo, 25 de março de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Tempo
Não penso nada agora.
Só quero olhar para as grossas nuvens.
Não sei o que é dentro de mim,
E o que é fora, daqui a pouco, já não é mais.
Tudo se transformará em chuva:
os amores que se derramam,
as lágrimas que não escapam,
as dores que nunca secam.
Só quero olhar para as grossas nuvens.
Não sei o que é dentro de mim,
E o que é fora, daqui a pouco, já não é mais.
Tudo se transformará em chuva:
os amores que se derramam,
as lágrimas que não escapam,
as dores que nunca secam.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Amanhecer
Ao amanhecer de um nítido azul,
ficam no ontem os gritos na esquina,
os mais íntimos dos medos e
os medos dos mais íntimos desejos.
Enchem-se de luz os olhares do dia,
os passos apressados dos atrasados,
as certezas dos lúcidos e as miragens dos loucos.
Ao amanhecer de um nítido azul,
seguem as ruas a ânsia da chegada,
as horas o curso do anoitecer,
e a vida o breve instante de acontecer.
ficam no ontem os gritos na esquina,
os mais íntimos dos medos e
os medos dos mais íntimos desejos.
Enchem-se de luz os olhares do dia,
os passos apressados dos atrasados,
as certezas dos lúcidos e as miragens dos loucos.
Ao amanhecer de um nítido azul,
seguem as ruas a ânsia da chegada,
as horas o curso do anoitecer,
e a vida o breve instante de acontecer.
sábado, 27 de agosto de 2011
Partes
Em partes, agora, tudo está
Partem para longe sonhos concebidos
E a parte que aqui fica repartida
espalha-se em cada canto dividido,
em cada gesto desmedido,
não cabendo em parte alguma.
Mas há uma parte que não se sabe,
fica escondida, submetida à espera,
à espreita, à vontade da primavera.
Sem aviso, chega um tempo de alegria,
uma parte que nunca se imaginaria,
completando a parte, até então, vazia.
Partem para longe sonhos concebidos
E a parte que aqui fica repartida
espalha-se em cada canto dividido,
em cada gesto desmedido,
não cabendo em parte alguma.
Mas há uma parte que não se sabe,
fica escondida, submetida à espera,
à espreita, à vontade da primavera.
Sem aviso, chega um tempo de alegria,
uma parte que nunca se imaginaria,
completando a parte, até então, vazia.
sábado, 8 de maio de 2010
Coração
Um ritmo de alegria falsa
um som de tambor descompassado
uma simples batida falha
um sopro, um nada
Ao bater fora do concerto,
deixa-me o gosto de morrer
Então, lembro-me dos meus sonhos,
seus beijos, minha fantasia
Toda rasgada de luz
danço na calçada da sua cama
Espero mais uma inspiração
mais um ar de flautim
mais um furacão do que resta de mim
Ao bater agora no concerto,
lembra-me o desgosto de viver
Então, esqueço-me de minhas vias,
suas iras, minha companhia
Toda coberta de sombras
caio no deserto do meu chão
um som de tambor descompassado
uma simples batida falha
um sopro, um nada
Ao bater fora do concerto,
deixa-me o gosto de morrer
Então, lembro-me dos meus sonhos,
seus beijos, minha fantasia
Toda rasgada de luz
danço na calçada da sua cama
Espero mais uma inspiração
mais um ar de flautim
mais um furacão do que resta de mim
Ao bater agora no concerto,
lembra-me o desgosto de viver
Então, esqueço-me de minhas vias,
suas iras, minha companhia
Toda coberta de sombras
caio no deserto do meu chão
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Periplaneta
Elas chegaram bem devagar,
invadindo minha vida,
tocando o chão imaculado da minha casa.
Em suas patas, a fuga do mundo.
De asas aleijadas, ante a ameaça de um ruído,
rastejam na trajetória dos restos.
Saídas de um oco de vontades,
carregando o marron secular,
enojam minha face suja.
Sobem pelas paredes da minha alma,
escondem-se nos cantos da minha consciência,
brincam com meus sonhos anteriores.
Riem das minhas crenças tão ternas,
como se tudo não passasse apenas de um engano.
Não há como contê-las.
Tento insistentemente matá-las,
inútil.
O tempo todo,
rasgam minha espera,
sufocam meus gritos,
empesteam meus desejos,
encardem meus azuis.
Sutilmente entornam meu café,
esfarelam o doce que ainda resta
e fogem sob meus pés perplexos.
Olho para baixo,
exausta das inúmeras perspectivas
e, com uma dor imensa de sangue,
sinto que é tarde demais.
invadindo minha vida,
tocando o chão imaculado da minha casa.
Em suas patas, a fuga do mundo.
De asas aleijadas, ante a ameaça de um ruído,
rastejam na trajetória dos restos.
Saídas de um oco de vontades,
carregando o marron secular,
enojam minha face suja.
Sobem pelas paredes da minha alma,
escondem-se nos cantos da minha consciência,
brincam com meus sonhos anteriores.
Riem das minhas crenças tão ternas,
como se tudo não passasse apenas de um engano.
Não há como contê-las.
Tento insistentemente matá-las,
inútil.
O tempo todo,
rasgam minha espera,
sufocam meus gritos,
empesteam meus desejos,
encardem meus azuis.
Sutilmente entornam meu café,
esfarelam o doce que ainda resta
e fogem sob meus pés perplexos.
Olho para baixo,
exausta das inúmeras perspectivas
e, com uma dor imensa de sangue,
sinto que é tarde demais.
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